Antes de o destino estar sequer fechado, a pergunta que aparece quase sempre: como se chega lá?
Faz sentido. O voo é a primeira parte da viagem e, muitas vezes, a que mais preocupa.
Quando alguém nos contacta para planear o Sudeste Asiático, as dúvidas repetem-se:
- Qual é a melhor companhia aérea para a Ásia?
- Qual é o voo mais rápido?
- Vale a pena partir o voo a meio ou fazer tudo seguido?
- Quantas escalas são demais?
- As companhias que não são europeias são seguras?
Nenhuma destas perguntas é exagerada. São, na verdade, as perguntas certas. Vamos responder a todas e, no fim, explicamos como escolhemos o voo quando somos nós a desenhar a viagem.
A pergunta não é “qual a melhor companhia”. É “melhor para quê”
Voar de Portugal para a Ásia não tem uma resposta única, porque não há um único critério. Há quatro: qualidade, tempo, preço e conforto. Cada um aponta para uma companhia diferente. A escolha certa depende do que pesa mais para ti nesta viagem.
Se o critério é a qualidade
Comecemos pela dúvida que mais ouvimos: as companhias não europeias são seguras?
A resposta tem a pergunta ao contrário. As melhores companhias do mundo são, quase todas, asiáticas ou do Médio Oriente. No ranking Skytrax de 2025 – o tal “Óscares da aviação” – a Qatar Airways é a número um, seguida da Singapore Airlines, da Cathay Pacific e da Emirates. A ANA fecha o top 5.
A única companhia europeia a entrar no top 10 mundial é a Swiss, em 10.º lugar.
Ou seja: se a tua preocupação era voar numa companhia que não conheces, podes descansar. As companhias que dominam os rankings de qualidade são precisamente as que fazem esta rota melhor do que ninguém.
Se o critério é o tempo
Os voos mais rápidos com saída de Portugal são da Emirates e da Turkish Airlines, ambos com uma única escala – a Emirates pelo Dubai, a Turkish por Istambul. Além deles tens A Etihad e a Qatar mas com menos frequências de voos com apenas uma escala.
Aqui fica uma ideia simples de guardar: uma escala bem colocada vale mais do que duas espalhadas. Um hub eficiente encurta a viagem; duas ligações mal encaixadas alongam-na.
Se o critério é o preço
Quando a ideia é poupar, o erro é gastar tempo a comparar companhias. O dinheiro não está aí.
Está em quando e como voas:
- Evitar partir e regressar ao fim de semana;
- Evitar as épocas festivas asiáticas, em que os preços disparam;
- Encaminhar a viagem por um único hub eficiente, em vez de somar ligações.
A companhia mais barata raramente dá a viagem mais barata. Há mais detalhes sobre orçamento no nosso artigo Quanto custa uma viagem à Ásia?.
Se o critério é voar no que conheces
Se já viste o ranking e, ainda assim, preferes uma companhia europeia, é uma escolha legítima. Tens a Lufthansa, a Swiss, a KLM e a Air France como opções, normalmente com duas escalas.
Para muita gente, isso não é desvantagem nenhum, é previsibilidade. Um aeroporto que já conheces, uma experiência que já viveste, uma cidade onde já fizeste escala. Há viagens em que saber o que esperar vale uma ligação a mais.
Se o critério é o conforto
Voar dez ou mais horas não tem de ser um sacrifício. Há margem para tornar o trajeto parte da viagem:
- Informa-te sobre os aeroportos e os lounges das escalas – nem todos são iguais.
- Considera um stopover: em vez de uma espera, ganhas uma noite num destino extra. Doha, Dubai, Singapura e Istambul não são salas de embarque, são cidades.
- Se não quiseres sair, uma escala longa com hotel no aeroporto chega para descansar e seguir mais inteiro.
- E, se a carteira deixar, o upgrade para executiva muda por completo a forma como chegas.
Para nós, o voo escolhe-se com o mesmo critério com que se escolhe um hotel: não é o mais barato nem o mais rápido, é o que serve a viagem.

Como nós escolhemos o voo
Quando desenhamos uma viagem, o voo não se reserva à parte. Escolhe-se com os mesmos critérios de tudo o resto: o destino, a época, o ritmo de quem viaja, o tempo que faz sentido passar no ar.
Não assumimos o lugar mais barato por defeito, nem o caminho mais curto por hábito. Cruzamos as quatro perguntas – qualidade, tempo, preço e conforto – e encontramos o equilíbrio certo para aquela viagem. E, quando faz sentido, transformamos uma escala num segundo destino, em vez de a deixar ser apenas uma espera.
É essa a diferença entre comprar um bilhete e desenhar uma viagem.
Se quiseres perceber como trabalhamos antes de avançar, começa por aqui: Como desenhamos viagens à Ásia.
Quando estiveres pronto para falar do teu voo e de tudo o que vem com ele fala connosco.
Perguntas frequentes
- Quantas escalas são precisas para chegar à Ásia a partir de Portugal?
O ideal é uma, normalmente pelo Dubai, Doha ou Istambul. Com companhias europeias é comum haver duas. Mais do que isso raramente compensa.
- É seguro voar em companhias não europeias?
É. As primeiras posições dos rankings mundiais de qualidade são ocupadas por companhias asiáticas e do Médio Oriente. Voar numa delas não é um compromisso, é, muitas vezes, a melhor opção disponível.
- Vale a pena fazer um stopover?
Vale, se quiseres partir a viagem e conhecer mais um sítio sem horas extra fechado no avião. Bem planeado, deixa de ser tempo perdido e passa a fazer parte do roteiro.
- Qual é a melhor altura para garantir um bom voo?
Com margem. Evita partir ao fim de semana e fora das épocas festivas asiáticas, e dá tempo ao planeamento as melhores decisões de voo raramente se tomam à pressa.

